Fim de roteiro, 'inchallá'

Marrocos, 17 Junho 2011
Dia 7 # Zagora – Ouazazarte – Marraquexe


Eu vou, eu vou pelas montanhas eu vou… Viagem de regresso a Ouarzazate e daqui para Marraquexe. A aventura estava quase a acabar e neste dia não há mesmo nada que deva acrescentar senão começo a ficar enjoada das curvas outra vez!

Marrocos, 18 Junho 2011
Dia 8 # Marraquexe – Porto – Lisboa


O último dia foi para fazer umas comprinhas de última hora. Sei lá...ervas para fazer um chá quando chegássemos a casa, por exemplo. "Comprinhas" foi, de resto, uma actividade bastante apreciada nesta viagem. Nunca consegui mostrar aqui fotos decentes do comércio, de como as coisas estão à venda das ruas porque eles pedem-nos dinheiro sempre que temos a máquina mesmo apontada, sendo que acabava sempre por ir um de nós fazer uma pose num sítio qualquer para mostrar que vimos uma cobra amestrada ou um macaco às cavalitas.

Já depois de almoço mantivemo-nos no hotel e tivemos um último contacto com o senhor que lá trabalhava que nos falou durante algumas horas sobre a vida deles.Os ordenados, as casas, os trabalhos, os turistas… e ele questionou também sobre Portugal.
Chegámos ao Porto já tarde e esfomeados. Depois de sete dias a comer aquelas coisas a francesinha teve mesmo o papel principal…

É tempo de reflexão. Para ver uma cultura absolutamente diferente é o ideal e é bom para enriquecer aquilo que concebemos sobre o mundo. Gostei de ver as ruas, a arquitectura dos edifícios. As roupas. As coisas a que a eles dão valor. As coisas que não lhes dizem nada. O ambiente. A Língua. Os cheiros, as cores, os sabores. A diversidade, a confusão, o caos. O medo. A diversão. Não se vê nada assim aqui. Há pessoas boas e más em todo o lado, mas isso eu já sabia. Sofri um choque cultural mas acho que era essa a ideia.

                 *** 


Hotéis onde ficar:
* Hotel Central Palace - mesmo no centro de Marraquexe, a 50 metros da Praça Jemma El Fna. Ficámos em dois do mesmo grupo no início e no fim da estadia (1ª e 5ª imagem)
* Al Khansaa, hotel salon de thé art galerie - Essaouira. É realmente uma galeria de arte com peças à venda e tudo. Super bonito, confortável, arrumado e limpo. (2ª e 3ª imagem)
* Hotel Azoul -  Em Ouarzazate é central, bem apresentado, arrumado, bonita vista. (4ªimagem)
* Hotel la Palmeraie - em Zagora, foi o pior dos hotéis por motivos de higiene mas... tem piscina.

Sítios a visitar:
* Em Marraquexe: Jardins Majorelle,Palácio El Bahia, Souk (mercado da cidade), praça Djema-El-Fna.
* Em Essaouira: praia, lota (a não perder o peixe, que é óptimo), mercado da cidade.
* Em Ouarzazate: Ait Ben Haddou, estúdios cinematográficos e centro da cidade.





E depois, apenas, o deserto

Marrocos, 16 Junho 2011
Dia 6 # Ouarzazate -  Zagora

O nosso carro alugado mega fashion nunca precisava de gasolina. Por mais km que andássemos o ponteiro nunca saia do lugar, o que não era realmente bom para quem queria ir até o deserto, mas ok, vamos andando que se faz tarde. 

Três horas de Ouarzazate até Zagora, a última cidade assim mais ou menos habitada antes das portas do deserto. Foram três horas entre montanhas (onde é que eu já vi este filme) e quando lá chegamos era outra aldeia perdida no tempo onde os termómetros marcavam 53 graus.

Não era possível ir ao deserto com o nosso carrito… Não! Oh a sério? Ainda tínhamos uma ínfima esperança! Um guia, um jipe e uma viagem baratinha foi o que conseguimos arranjar assim em tempo record numa conversa do tipo “Tenho um amigo de um amigo que pode ir convosco”. Boa, boa, bora lá viajar até ao deserto dentro de um jipe com um desconhecido (dejavú? Again?). E fomos.

A hora melhor para ir ao deserto do Saara era ao final da tarde, altura em que podíamos ver o pôr do sol e tirar aquelas fotos dos postais. Pelo caminho, o guia disse-nos que íamos parar numa aldeia para conhecer e que era costume lá parar na travessia de zagora até ao Saara. Tudo incluído no preço. Nesta aldeia havia uma antiga biblioteca, casas antigas, crianças a fabricar os artigos que víamos à venda da cidade e a pedirem-nos moedas ou mesmo comida, claramente carenciadas. Crianças são crianças e tocam-nos sempre. Mas ao guia desta cidade nada quisemos pagar porque nos havia sido dito que não o teríamos de fazer. Confrontámos delicadamente o nosso guia e condutor que falou com o outro senhor. Não terá gostado muito pois prosseguiu viagem connosco meio aborrecido.

Quando começamos a sentir as dunas por baixo das rodas do imenso jipe percebemos que estávamos perto. E o que estava à nossa frente era o absoluto. A calma. O silêncio. A vista. O nada. Não há nada depois daquilo. Podemos andar km e tudo que se vê é igual para frente e para trás e o este e o oeste, e é apaixonante. A areia brilha ao pôr do sol. É das imagens mais bonitas de tão simples que é. É majestoso tomar um chá numa mesa pequena sentados num tapete que não se pode pisar calçado. Simplesmente sentir aquele ar. E aproveitar o nada.

O passeio de dromedário é cena de filme. Tive muito medo, e aqui confesso, de subir para lá para cima. De olhar para o animal...e ele a olhar para mim! Tive tanto medo que nem consegui aproveitar bem. Dos poucos momentos em que me abstrai, olhei em frente e senti a brisa quente.





Na viagem de regresso para Zagora já era noite cerrada. Como saberia o guia o trilho certo por entre as dunas para nos tirar dali? “Inchallá”, respondeu-nos. (Que seja o que Deus quiser). Aprofundando conhecimentos da cultura marroquina durante a trip, esclarecemos que os marroquinos podem ter mais que uma mulher e elas podem muito bem conviver alegremente mas poucos optam por esta prática, porque sai caro, pois tudo o que se oferece a uma tem que se oferecer a outra.

Parámos para ver a lua que dali parecia ser diferente. Era grande. Era brilhante. Pequeno piquenique para turistas esfomeados. Ofereceu-nos meloa que nos soube pela vida e nos fez apreciar a companhia e simpatia deste guia que afinal não era tão mau quando parecia.
E depois, uma súbita luz no céu fez-nos ceder à curiosidade. Estava longe. Só mais perto da cidade entendemos que eram relâmpagos e que estava prestes a desencadear-se uma tempestade tropical com mais de 40 graus às dez das noite.

Ainda houve tempo para perceber que promessa é uma coisa que vale muito para os marroquinos. Nunca mais nos lembramos que para evitar ir a mais uma loja durante a tarde dissemos o célebre “después”…. É um ofensa muito pior não cumprir uma promessa do que entrar e não comprar… porque “se queres, queres…se não queres, não queres”, diziam eles.

Cinema em Marrocos


Marrocos, 15 Junho 2011
Dia 5 # Ouazazate

Uma das formas mais eficazes para cumprir pequenas distâncias é utilizar um táxi, ah e negociar o preço, claro. “É para Ait-Ben Haddou”.

Ait-Ben Haddou é uma cidade do outro lado do rio. É uma cidade isolada de tudo e é algo diferente, no meu imaginário, quando lá cheguei,e agora que recordo, pareceu-me feita à mão, moldada a barro, é linda e é património da Unesco.
Estávamos debaixo de um calor abrasador que nem se podia aguentar. Um aldeão até nos emprestou uns chapéus para proteger a cabeça, directamente vindos da sua loja, onde aliás nos ‘estragamos’ nas compras, as coisas eram mesmo giras, gostei das lojas de lá!
Giro, giro é subir todos os degraus até ao topo e ir olhando para a paisagem que fica lá em baixo mesmo atrás de nós. Digno de filme, de tela, de fotografia e mais que tudo isto, digno de recordar.

Devolvemos o chapéu ao senhor que simpaticamente acreditou que o desenvolveríamos. E fomos ‘perseguidos’ por um outro senhor que insistia que comprássemos uma pulseira. Eu gostei dela mas eram oito euros… a cada passo que andava atrás de nós a pulseira baixava de preço… óbvio que continuei a andar… dois euros, comprado!

Voltámos ao centro da cidade de Ouarzazate (já depois de o táxi ter de levar um banho de água porque aqueceu demais debaixo daquele calor) onde alugamos um carro. É que queríamos ir até ao deserto do Saara, mas as expedições eram muito caras para aquilo que nos apetecia pagar, e as cabeças pensadoras acharam que podiam ir de carro até lá!

Com o nosso carrinho ainda tínhamos muitos sítios a visitar nessa tarde. Começámos pela cidade cinematográfica. Sim, há o brilho e glamour do cinema em Marrocos. Aqui já foram gravados filmes como o Gladiador ou Alexandre, o Príncipe da Pérsia. Hoje restam pedaços dos adereços que fizeram cenários a estes filmes. E podemos ser nós os protagonistas. “Luzes, câmara, acção”.


Uma das coisas que mais se quer ver quando se viaja para estes países são os oásis. Já todos ouvimos falar deles e queremos ver como é. A nossa concepção da coisa atraiçoa-nos. Sempre que, andando mais um km ou dois no meio do nada, sem indicações, qualquer coisa que tenha um lago e duas ou três palmeiras nos parece um lindo oásis. Mas não. Lá de cima, olhando para baixo, descobrimos um uma aldeiazinha no meio do nada, cercada de palmeiras, como que desenhadas. Estávamos já a vê-lo quando nos surgem na estrada algumas pessoas que pedem para parar. Queriam água para o carro. Aproveitámos e confirmámos com eles que aquilo ali era o Oásis de Fint (não fosse uma miragem ou assim!)


                                                             
Mesmo quase a chegar vemos uma pessoa a descer a montanha a correr seguindo o nosso carro. É uma das pessoas que estava lá em cima com quem falámos. Vai começar tudo outra vez!!!  Chegou a correr, ofegante, a dizer que nos ia mostrar o Oásis. Ahh, que alegria! Mas, não foi mau de todo. Pronto, eu admito, levei o caminho todo a achar que ele nos ia pedir dinheiro pela visita guiada, e não me consegui abstrair do facto de ir connosco para todo o lado para que nos virávamos. Mas por outro lado, o óasis é um belo sítio para nos perdemos e ele ia dizendo os sítios mais bonitos que nem todos os turistas conseguiam alcançar. Ele morava ali. Vivia ali. No óasis. Ali não há nada. Onde arranjam a comida? A água? O que fazem para ter dinheiro? Para sobreviver? Como é que vão à escola? Onde arranjam roupa? Aquilo é deserto e até à cidade leva muito tempo de carro quanto mais a pé. Sinto um enorme respeito por estas pessoas, afinal. E depois, oferece-nos uma fruta vinda directamente da árvore (que eu não comi) e um desenho que fez com as mãos, com uma folha de uma árvore e pergunta se podemos dar algum dinheiro. E demos.

Ok, viagem de regresso. Jantar, chazinho da noite e cama.

A paisagem de "Private Practice"


Já há muito tempo que queria ter escrito sobre "Private practice", mas estou a ver uma temporada tão atrasada que até tenho vergonha. Basicamente estou no início da quarta (mas já vi episódios para a frente que isto quem tem Fox tem tudo e não sou pessoa de me conter se começa a dar o episódio, não é? Não vou desligar sem ver! :)
Pronto, entretanto, estão todos de candeias às avessas, andam todos enrolados uns com os outros (bom, mas isto é o prato principal de todas as temporadas ou melhor, de todas as séries género) e depois chateiam-se e fazem as pazes como se a série acabasse amanhã. Esta série vale a pena pelo enredo entre os médicos mas não tem nada a ver com a minha adorada Anatomia.

A addison tem me vindo a conquistar episódio a episódio. De facto ela foi uma besta com o Derek (querido!) e depois foi novamente do pior mais uma série de vezes de modo que nunca fui muito fã, mas estou a aprender a gostar dela, afinal de contas nada lhe corre bem na vida, tem um azar dos diabos no amor, o raio da mulher!

Nesta série não é nem a Naomi, nem Sam, nem o Peter que me cativam... Gosto muito mais do Dell (que entretanto já morreu) da Violet, do humor do Cooper e do seu relacionamento com a Charlotte, que é das melhores personagens.

Mas o melhor, o melhor, o bom mesmo, aquilo que me deixa a babar... é a casa da Addison. Meu deus, aquele mar à porta... aqueles finais de tarde a ver o sol em Los Angeles a beber um vinho (como ela passa a vida a fazer) é o paraíso na terra.

Depois de um fim-de-semana...

... com vista para o mar e calor, boa disposição e boa companhia, ainda não conseguir decidir se a segunda-feira custa muito ou pouco.
Deixa-me pensar...hum, já pensei. Acho que já sei a resposta!
Toda a gente sabe não é?



Caminhos no meio de marroquinos

Marrocos, 14 Junho 2011
Dia 4 # Essaouira – Marraquexe – Ouazazate


Terra e mais terra. Estrada e mais estrada. Rodas, movimento, calor. Curvas, muitas curvas. O quarto dia foi passado inteiramente em viagem de um lado para o outro. Ninguém merece!
Estava previsto no nosso roteiro de viagem ficar mais um dia em Essaouira mas estava um frio que não se podia e eu queria mais era viver os meus 40 graus à sombra! Foram 3 horas de volta a Marraquexe e mais 5 até Ouazazate. Parece fácil, um dia tranquilo, dormir no autocarro… pois, mas não foi! Bora lá subir uma montanha gigante em curvas e em curvas fazer ultrapassagens de dois em dois minutos para fazer destes turistas pessoas mais felizes. A sério? Um autocarro enorme a fazer ultrapassagens numa única faixa de rodagem, numa curva e a subir?!                          

E se ficasse por aqui estava eu contente da vida. A paragem para esticar as pernas foi numa aldeia perdida no tempo e no meio da montanha. Os aldeões juntam-se todos quando o autocarro pára. Mas… surpresa… até tem “estação de serviço”. Eu explico: tem um café que serve comida e chá e uma casinha pequena para a venda de recordações. É óbvio que fomos convidados a entrar e a pernoitar e a viver ali! Conversa puxa conversa e o senhor da loja disse-nos que tinha um irmão a viver na cidade para a qual íamos que fazia excursões ao deserto…nós até gostávamos de ir.

Quando saí daquela pequena aldeia senti que algumas daquelas pessoas eram mesmo humildes e passavam dificuldades. No fundo, só conhecem aquilo. Vivem ali, limitam-se a fazer trabalhos manuais para vender. Colhem pedras das montanhas que depois limpam e vendem. Vivem ali à espera que um turista passe. Dizem que não lhes falta nada, que viver ali é tranquilo. Acredito que sejam boas pessoas. Pedem para entrarmos, para vermos. Mostram. Explicam. E depois não compramos nada? Acabámos por comprar pequenas coisas e fizemos uma pessoa feliz.

Quando chegamos a Ouazazate, imediamente assim que saímos do autocarro estavam duas pessoas à nossa espera, dizendo que nos levavam ao hotel no seu jipe. Já dentro do carro dos senhores exclamei “Lá estamos nós a seguir desconhecidos, outra vez. Dentro do carro deles e fechados!” 
Não nos levaram ao hotel. Levaram-nos à rua onde ficava a sua agência que organiza excursões ao deserto porque sabiam que gostávamos de ir. Como? Um dos senhores era o tal irmão do outro querido de quem ficámos amigos, na aldeia lá atrás. SÓ queriam que entrássemos, que bebêssemos chá e que víssemos o que tinham para oferecer. Pois, sim. O combinado era irmos para o hotel não para uma loja comprar pacotes de visitas guiadas ao deserto do Saara. Não entramos e eles ficaram fulos da vida. Queriam saber o hotel onde íamos ficar, queriam ir buscar-nos. Fizeram-nos prometer que os visitávamos a uma certa hora e ficariam à espera. Ainda não sabíamos o valor da promessa para o povo marroquino portanto… faltámos ao encontro.
O hotel era óptimo e depois de verificarmos que não estávamos a ser seguidos fomos jantar. Ouazazate é uma cidade pequena, com um clima muito mais quente do que nas cidades anteriores. É acolhedora, tem menos comércio do que o normal e menos turistas também.
                                                                         
Encontrámos um restaurante e nele conhecemos dois músicos que sobre Portugal não mencionaram o futebol mas sim… Amália Rodrigues. Não eram marroquinos. Jantamos ao som de uma guitarra e aproveitamos para pedir uma informação. Resultado? Perguntámos onde poderíamos ir a um bar típico marroquino, como vemos aqui em Lisboa. Mas lá não esse hábito de nos sentarmos nuns sofás e beber chás!. Para eles isso faz-se em casa. Às tantas lá estávamos nós com os tais senhores num bar, onde um deles costumava tocar, e tivemos uma noite descontraída a falar com eles, a conhecê-los. Nós a querer saber da vida em Marrocos e eles a querem saber da vida em Portugal. Esta foi uma das situações que nos correu bem. Já sabíamos que não íamos poder escapar ao facto de eles nos acompanharem a qualquer sítio no entanto, foram autênticos guias. Uma forma de percebermos que há pessoas e pessoas... e estas fizeram-nos crer que há boa gente.