Quando o telefone não toca...

Sou um bocado antiquada nesta coisa das tecnologias. Sou sempre aquela que tem o telemóvel mais velho de sempre. Só preciso de mandar sms e fazer chamadas. Antigamente o telemóvel para mim só existia porque era um 3310 e dava para jogar ao "jogo da cobra" e trocar de bateria com os amigos... "só tenho um pauzinho de bateria, emprestas-me a tua?" (a frase mais ouvida de sempre, porque toda a gente tinha o mesmo telemóvel e toda a gente emprestava a toda a gente.) Lembro-me de meter os telemóveis da turma toda lado a lado e construir uma fila gigante e a vivíamos bem assim...crescemos felizes!

Mas depois vieram as capas, para mudar de cor, depois vieram os telemóveis cada vez mais pequenos (e eu sempre que perdia ou estragava o meu, comprava outro 3310), depois vieram os ecrãs com cores, as músicas e as câmaras fotográficas e a internet e 3G e 4G e o Iphone... e então aí eu hibernei!

Quando o meu namorado comprou o seu Iphone eu disse "Para quê?" E ainda hoje ele me lembra disso quando eu pergunto "Posso ir ao facebook?". Entretanto, dei por mim a querer ter coisas giras num Iphone que não era meu...enquanto continuava com a minha relíquia. Tinha câmara (uau!) e até tinha internet (onde nunca me atrevi a ir porque o ecrã era tão pequeno que tinha que por os óculos para pesquisar no google!) Passado alguns anos com esta pérola do deserto, eis que ele bloqueia quando tento apagar sms, não me permite falar porque ninguém me ouve, e por último decide não me deixar aceder ao menu...declarei a hora da morte, com alguma dificuldade, e fiz o meu luto de (poucos) dias até comprar outro, ontem! 

Agora o mundo é lugar novo e tudo gira à volta de um ecrã touch (demoro horas para escrever uma frase porque os meus dedos não cabem nas teclas virtuais, mas isso são detalhes!) onde tenho que "passar o dedo para desbloquear" (modernices) tenho Facebook e Mail (sim, já sei que toda a gente tinha, menos eu, mas posso ser feliz?) e Instagram (a invenção da década) e GPS e outras coisas tão "xpto" quem nem lembro! 

Enfim, as prioridades da vida mudam e agora que sei o que são "apps" será que posso "sacar" uma que frite ovos, outra que me faça a cama e outra para levantar dinheiro?

A evolução da (minha) espécie!


Um mercado de todos para todos


Há uma rua em Lisboa que mistura cores com cheiros e música. Há uma feira que junta flores com roupas e bijutarias. E livros com bolachas e doces com brinquedos. Esta feira, nesta rua, é o LxMarket, no Lxfactory, para vender e comprar a preços baixos!

"O LxMarket tem orgulho em ser português, mas as culturas misturam-se e o mundo é global, por isso a nossa abertura é total para quem tenha ideias criativas, originais e interessantes que nos possam ajudar a fazer um mercado de qualidade e diferente dos que já existem", quem o diz é Teresa Lacerda, da organização do projecto. E a diferença é que aqui toda a gente pode ser feirante. Quem tiver uma ideia de produtos para vender pode montar a sua banca nesta rua, através de inscrição prévia. É uma ideia para as pessoas comuns que podem pegar no que têm em casa, que já não querem, e vender. É uma ideia também para quem tem jeito para alguma arte a poder mostrar sob o lema deste mercado, "2ª mão de primeira", um mercado de todos e para todos.

O LxMarket nasceu pela mão de três sócios, sem ajudas de custo ou apoios institucionais. Tudo começou com um mercado em segunda mão, mas em ponto pequeno. O LxFactory gostou da ideia e fez o convite para a desenvolver. Hoje é um projecto de pessoas profissionais, dinâmicas e positivas que trabalham com entusiasmo para pôr o evento de pé, domingo após domingo. Teresa Lacerda é uma dessas pessoas e deixa o convite para que todos visitem e ajudem "a criar um local e ambiente único, onde para além de se trocarem coisas por dinheiro, também se trocam afectos e emoções".

Além das bancas e dos espectáculos de dança para animar a tarde, há também uma componente de solidariedade em tudo isto. "Ser solidário tornou-se uma responsabilidade de todos nós, já não é apenas aquele grupo de pessoas ou empresa que o faz. Como cidadãos e empresas temos de estar atentos ao que se passa à nossa volta e ajudarmos quem mais necessita", por isso há sempre uma instituição de solidariedade presente aos domingos. "Tem resultado muito bem e as instituições pedem para voltar", explicou a responsável.

"É um sítio onde se fazem boas compras, se divertem e é transversal em termos de idades. É sem dúvida um bom programa de domingo". As pessoas visitam este mercado pela curiosidade, para passear, mas acabam por descobrir coisas que não estão habituadas a ver, coisas alternativas, num espaço meio trendy ao estilo vintage, mas muito abrangente. E já que a crise está para ficar e parece que o calor também, para quê ir para um centro comercial fechado e onde os saldos já nem são o que eram? O mercado em segunda mão, com artigos artesanais e feitos à mão começa a fazer sentido. "Cada vez mais é a escolha de muita gente, por necessidade mas também por mudança de atitude".

Sonho de uma noite de verão...

Queria tanto uma destas para as minhas noites de verão. E para as tardes. E manhãs. Com a almofadinha e tudo! Oh, sou feliz com tão pouco!

Bom dia # 1

Sexta-feira!
Será um dia difícil? Que importa isso?!
Tenho um fim-de-semana inteiro pela frente para fazer tudo o que me apetecer!
Sol, you're welcome.

As queixas!


Se está frio é porque está frio. Se está calor é porque está calor. Se está muito calor é porque está muito calor. As pessoas queixam-se sempre. Ah está bem, calor sim, mas isto também é demais, dizem por ai. Eu cá gosto de calor para andar de sandálias e vestidos e tudo a que temos direito! É melhor ainda quando se pode dar um mergulho, mas também não se pode ter tudo (embora eu ache que se devia poder!) É verão ora bolas, tem 'masé' de estar calor.

Agora uma coisa bem diferente são as fotos que andam pelo facebook. Fotos com 30º à noite dentro do carro. Fotos com 40º à sombra dentro do carro. Basicamente, sim, é isso, fotos dos graus dentro do carro! É disso que eu me queixo.Peço, por favor, mais respeito! O meu carro não mostra os graus! "E até é relativamente novo. Será que devia ter pago por isso, como extra? Pronto, não interessa, tenham piedade e não façam de mim uma pessoa invejosa. :)


A gaveta

" De facto, só abro a gaveta quando vou à procura de uma imagem especifica que possa ter uma utilidade concreta e actual, evitando cuidadosamente despertar essa serpente venenosa que hiberna no fundo da gaveta a que chamamos nostalgia. Dizem que as fotografias não mentem, mas essa é a maior mentira que já ouvi"
                                                                                                                                                             (Miguel Sousa Tavares, "No teu deserto")

Já abriram uma gaveta, alguma vez, e sem querer viram aquela imagem? E roçaram naquele sentimento de ausência? Por exemplo, estamos aqui lá lá lá e vai na volta e coiso precisamos de uma coisa que deve estar, só pode estar, naquela gaveta, daquele armário, lá ao fundo, mesmo lá ao fundo (se forem direitinhos ao sítio onde está a coisa perdida...não me digam). E pimba, aquele objecto oferecido por não sei quem (tão fofo!), aquela foto tirada não sei onde (que linda!), aquela carta (sou do tempo das cartas, escrevi muitas!) e ficamos com o objecto na mão, a olhar para a foto, a ler a carta. E rimos ou choramos, mas acima de tudo lembramo-nos, porque houve um tempo em que teve alguma importância, algum significado e embora agora até já nos passe ao lado (porque é que eu guardei isto?) foi, um dia, importante.

Há pedaços das nossas vidas guardados em gavetas e fomos nós que os mandamos para lá, para os guardar! Outras vezes, os objectos nem querem dizer nada, mas deixamos que lá fiquem a marinar ou a ganhar teias só porque não queremos deitar fora, porque um dia, distante, pode ser preciso. E nunca é. E depois aquela gaveta acaba por ser constituída de coisas inúteis, passa a ser "a gaveta da porcaria" onde cabe sempre mais qualquer coisa, mas que está tão cheia que já nem abre. Mas onde é que está aquilo? De certeza que está naquela gaveta. Está lá sempre tudo.