Ideias

Anda toda a gente a dizer que Setembro é que é! Depois das férias, estamos frescos que nem alfaces e podemos fazer tudo. Dizem os entendidos que Setembro é como Janeiro, é um começar de novo. Armários arrumados, projectos novos, ideias para concretizar. Eu cá não tenho nem os armários arrumados (nem roupa para nova estação) nem nada interessante para fazer. Nem sequer as velhas séries voltaram ao ecrã, ainda tenho que esperar até Outubro. Mas ideias... ideias tenho muitas.


Pinga amor, pingam sorrisos...


Se um dia encontrarem um coração com uma mensagem por aí, não o deixem lá ficar. Levem-no. Ele foi deixado com um propósito muito especial, fazer-vos sorrir. E sorrir custa alguma coisa?

Diariamente, pequenos corações feitos de crochet, de tecido, com remendos ou de papel são espalhados em vários locais públicos com uma mensagem agarrada. Cafés, monumentos ou jardins são constantemente brindados com este "pingo de amor". As 'regras do jogo' são fáceis, os saltimbancos fazem e dão-nos o 'pingo'. Para nós fica a parte mais fácil, levá-los connosco para casa!

"Queremos provocar sentimentos de esperança, amor, amizade, alegria e confiança no futuro e na humanidade. Pois acreditamos piamente que nem tudo na vida tem de ser cinzento, especialmente nesta época", quem o diz é o Pedro Menezes, um dos fundadores do projecto "Pinga amor por aí".

Uma vez, o Pedro deixou um coração preso no pára-brisas de um carro, depois de deambular alguns minutos na Avenida de Berna. O dono do carro, mais tarde, manifestou-se (no blogue) dizendo que o encontrou quando vinha de um velório. Há coisas que, sem querer, sem pensar, fazem sentido num determinado momento da vida. Tal como o caso do namorado que passou a tarde a andar de baloiço com a namorada e ao chegar ao carro tinha um coração e a mensagem  começava com a pergunta "Lembram-se da primeira vez que andaram de baloiço?".

Coincidência ou não, será que isto vale a pena? "A maior parte dos saltimbancos é tímida e prefere deixar o seu pingo e sair do local". Mas o Pedro confessa que já olhou para trás "Deixei um pingo em Óbidos, perto das muralhas e quando já ia a meio dessa rua olhei para trás e observei uma jovem família a apanhar o pingo. Por aquele sorriso colectivo já valeu a pena", conta.

Os corações do Pedro são feitos de origami, por isso ele costuma deixá-los presos nos pára-brisas dos carros, por exemplo. Já eram tantos os origami que preenchiam as suas prateleiras que ele achou que os devia dar. "Pensei para mim que os deveria partilhar. Até porque precisava de mais espaço para colocar novos origami. E assim fiz, comecei a deixá-los por aí". Mas não o fez sozinho. A Liliana tinha o hábito de dar textos na rua às pessoas e flores no dia da mulher e um dia um dos seus filhos disse-lhe que ela andava a pingar amor. Ela vai daí e criou o blogue onde, hoje, se partilham os locais onde são colocados os pingos e se conversa com as pessoas que os vão encontrando.


Uma questão de acreditar
Depois de largarem o primeiro pingo a 18 de Junho, em Lisboa, juntaram-se a eles pessoas do país inteiro e emigrantes no Luxemburgo e Holanda. Depois veio o Canadá, o Brasil e os EUA. Hoje, já não são só os nossos emigrantes mas também pessoas locais a deixar cair pingos de amor por lá.

O Pedro pensa que as pessoas têm de aprender a ser felizes com o que têm. Em países como a Índia ou o Brasil, onde a situação é igual ou pior do que a nossa, encontrar um pingo de amor não é motivo de desconfiança. "Para eles, soltar Pingos de Amor é a coisa mais natural do mundo". Em Portugal não. Em Portugal ainda é muito difícil aceitar que as pessoas possam "dar" só porque sim, sem nada na manga. "Talvez pudéssemos aprender um pouco com eles", diz.

Será que os portugueses ainda não conseguem simplesmente acreditar? Será que a ideia de fazer o bem está tão desacreditada entre nós? Há pessoas que chegam a ver os corações sem nunca lhes tocar, ou então experimentam primeiro com o pé "não vá ele morder", conta o Pedro. "Esta desconfiança é fruto do que a sociedade de hoje nos impõe, sermos racionais, pensarmos e não sentirmos. Assim, se um coração foi deixado ali, tem de haver uma justificação racional, para além da simples bondade." E é por isso que o Pedro acredita que hoje além de uma crise económica vivemos com uma grave "crise de valores".

Apesar disso, a ideia de deixar amor espalhado ao acaso, por aí, está a seguir um rumo que os fundadores não esperavam no início. Todos os dias, há pessoas a quererem juntar-se a eles nesta demanda. E é graças a estes saltimbancos que um dia podemos vir a sentar-nos numa esplanada e encontrar um pingo de amor.

"Leva-me", "Take me", "Prendre moi", "Neem me mee", façam o que eles pedem! Às vezes faz falta um pingo de amor, para nos fazer sorrir sem motivo nenhum, assim, por nada. Levem-nos e sorriam, afinal, é só isso que eles pedem em troca.

Imagens cedidas pelos saltimbancos do "Pinga amor por aí"




Põe-te na fila

Já se sabe, a fila do lado anda sempre mais rápido do que a nossa. Já se sabe também que não adianta mudar porque a fila do lado vai (mesmo) sempre andar mais rápido do que a nossa. Seja a fila da segurança social, para entrar no estádio ou nos concertos. Seja a fila para comprar o pão, o passe do metro ou para ir à casa de banho (excepto se a for a fila das casas de banho dos festivais de verão, porque aí a fila não existe, é tudo ao molho, safa-se quem puder).

Para estar na fila é preciso ter uma certa bagagem. Há sempre quem finja que não percebe e faça a mítica pergunta "olhe desculpe, está na fila?" (Não, que ideia, estou lá agora, estou aqui lhe guardar o lugar!). Há quem simplesmente não finja nada e passe à frente "Eu só queria mesmo uma informação!". Há quem olhe com olhos de carneiro mal morto, na fila do supermercado, mesmo à espera que alguém diga "São só essas duas coisinhas? Pode passar!" ("Pode passar", palavras mágicas!). E depois há quem simplesmente desista da fila "O quê, isto é a fila?!" e quem fique lá eternamente a bufar. E toda a gente já passou à frente, já desistiu e já bufou, não é?! 

Também já se sabe (este truque é velho) que dá sempre jeito ter alguém conhecido na fila. Seja na fila do trânsito em que é preciso desesperadamente mudar de faixa de rodagem para não irmos parar ao Porto, ou seja na fila do bar da escola quando queremos urgentemente um croiassant com chocolate, antes que chegue a nossa vez (no fundo da fila) e digam que já não há. Lembro-me de ser a infiltrada que pedia para alguém comprar, mas também me lembro de me calhar ser aquela que dizia "Bom dia, são dez croiassants com chocolate", e sorria!


Bom dia # 5


Quando o bom supera o mau...


Andei a passear pela Baixa que não é só linda de dia, também é linda de noite.

Há coisas ali que continuam sem ter explicação. Então, tantos turistas, tanta mistura de línguas, tantos flashes de câmaras no nosso património, e nem uma lojinha aberta para contar a história? Sim, aquelas lojas com produtos regionais e coisas giras para os estrangeiros levarem para a família... E mesmo as outras, tanto comércio para o turista ajudar a nossa economia, tanto comércio para ajudar a luta contra o desemprego que nos persegue... Nada aberto! Claro que os restaurantes e gelatarias estavam abertos, eu estou a falar das lojas em si. Sei que muitas delas nem devem ter, infelizmente, movimento de dia, quanto mais de noite, mas há algumas que eu acho que valia mesmo a pena estarem abertas.
Depois há aquelas pequeninas e perdidas, tão escondidas, nas ruas menos frequentadas e menos limpas, o que também é uma pena, não haver mais cuidado com a preservação das ruas e edifícios que carregam história às costas.

Mas, deixando o melhor para o fim, muitas coisas estão a melhorar. E o que é bom...é muito bom! Por exemplo, o Terreiro do Paço está fantástico, como há muito fazia falta. Belas esplanadas, óptimas para um final de tarde ou para um jantar, especialmente com uma noite como aquela que estava hoje. O sol demorou a ir-se embora, teimava em dar-nos aquelas cores bonitas para melhor contemplar a paisagem sobre a outra margem. Foi preciso chegar Setembro para esta noite de calor?!