Próxima paragem... # 2

Certo. Já gastei um ordenado inteiro na farmácia a comprar protectores solares de factor 250. E, como há muita comida estranha e bebida de manhã à noite, aproveitei e comprei mais umas cento e trinta e sete coisas que, nunca se sabe, podem fazer falta.
Agora, além de enfiar toda a roupa de verão dentro de uma mala minúscula, faltam os cremes, toda a tralha da casa de banho, todos os chinelos... Isto pode ser mais fácil do que eu penso, na medida em que vou levar tudo o que estiver à mão de semear aqui por casa. E, ainda assim, vai faltar qualquer coisa de extrema importância.
Falta ainda pintar as unhas dos pés. Uma pessoa nem quer meter os pés de fora, só pensa em meias e galochas, porque está frio e chuva, como é que me ia lembrar de pintar as unhas com antecedência?



Próxima paragem...

Quando eu disse 2014 ia ser diferente eu não estava a brincar. Este ano tenho que fazer coisas que nunca fiz. Tenho que começar a fazer coisas que queria muito e deixei para trás. Tenho que fazer outras coisas que nunca me lembrei. Tenho que fazer acontecer, acho que foi assim que eu disse.
No final, têm que ficar muitas boas recordações. Tenho que me lembrar de tudo isto como coisas boas e felizes. No final tenho que poder dizer este ano é que foi. E portanto, das coisas mais básicas às mais extravagantes...cá vou eu para mais cafés com as amigas, mais saídas à noite, pintar mais vezes as unhas, comprar vestidos novos. Comer melhor, fazer exercício. Mais concertos, mais viagens. Viagens. Isso vai ser a primeira coisa. México: estou a fazer as malas!

O que define os amigos

Quem escreve assim é porque tem deve ter um bom amigo. Um daqueles amigos. A melhor pessoa do mundo. Ficam as palavras de quem sabe:

"Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas. 

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta. 

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. 

Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Quem é que teve esta ideia? # 2

Hoje, caía granizo lá fora, e...surpresa das surpresas, levantei-me cedo e vesti-me... para ir ao ginásio. Na verdade, quando me levantei não fazia ideia de que estava a acontecer o apocalipse, caso contrário... 

Depois de levar, efectivamente, com algumas pedras nas trombas, lá fui, para a aula de "bunda". Sim. Isso. E o horror aconteceu. Um step e um colchão. Nada de bom podia acontecer a partir daqui. E salta, pé esquerdo no chão, e salta, pé direito no chão, e salta. Agachamento e salta, e são só... mais oito vezes! Mais quantas? O dilúvio não acontecia lá fora, o verdadeiro apocalipse acontecia ali. Eu sempre pensei que não transpirava, que era uma princesa, uma senhora! Quem é que teve esta ideia? Mas nada temam. Continuo a gostar das aulas. Acho até que posso ter gostado desta. Talvez um dia, quando me esquecer, venha a repetir!

A aula de "Dance" é, até agora, a minha preferida (uma vez que só fiz estas duas). Mas isso, era coisa que eu já previa, conhecendo como conheço a minha pessoa. É divertida, tem muito bom ritmo, faz-me rir e canso-me à mesma, apesar de parecer uma marioneta totalmente descoordenada, sem saber bem qual é a direita e qual é a esquerda!

Seguiu-se um bife de perú grelhado com salada, sopa e fruta. Já é hora do lanche?!

E eu a comer verdes # 2

Do livro "Deliciosa Cristina"

"Quem é que teve esta ideia?"

Eu não gosto de ginásio. Eu não gosto de máquinas que me causam dores ontem, hoje e amanhã. Eu não gosto de ficar de rabo impinado a fazer agachamentos. Eu não gosto de me esforçar porque a única coisa que consigo realmente muito bem são dores em músculos que antes desconhecia existirem.

Pois bem. 2014 está a fazer coisas estranhas. Não, não me digam que não é o ano que muda que são as pessoas e bla bla, porque eu não deixei de ser preguiçosa. Eu não deixei de reclamar. Eu não deixei de não gostar do ginásio. Eu inscrevi-me no ginásio e a primeira frase que disse quando de lá sai, no primeiro dia, foi "Quem é que teve esta ideia?"

O facto é que me transformei numa pequena orca. E isso, sim, muda qualquer ano, pessoa ou coisa! Mas continuo a não gostar das máquinas do ginásio, pelo que vou optar muito mais pelas aulas, que dessas sim eu gosto!

Agora mais do que não gostar do ginásio, eu odeio mesmo é o balneário. Lá dentro há pessoas magras. Super giras e boas. Facto que me obriga a vestir mais rápido do que a própria sombra para desaparecer dali. Mas odeio ainda mais uma coisa. Mais do que essas pessoazinhas, com as quais eu vou ficar irritantemente parecida (óbvio). Odeio o café do ginásio. O café do ginásio tem salame de chocolate!


Bom dia # 28


Contarei estrelas

Doing the wrong thing
I feel something so wrong
Doing the right thing
I could lie, coudn't I, could lie
Everything that kills me makes me feel alive

Lately, I've been, I've been losing sleep
Dreaming about the things that we could be
But, baby, I've been, I've been praying hard
Said, no more counting dollars
We'll be counting stars